segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pequeno recorte da História em Quadrinhos no Brasil



Comemorado em 30 de janeiro, o Dia do Quadrinho Nacional foi instituído pela Associação dos Cartunistas de São Paulo em homenagem a data da primeira publicação de história em quadrinhos no Brasil:  As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte em 1869 de Ângelo Agostini.

Para rememorar esta data fomos pesquisar um pouco sobre a História dos Quadrinhos no Brasil.
Segue neste texto um pequeno recorte sobre o surgimento das HQs aqui no Brasil para os adeptos a  9ª arte.

As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no século XIX, adotando um estilo satírico conhecido como cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabeleceria com as populares tiras.

Como charge circulou o primeiro desenho em 1837, vendida em separado como uma litografia, de autoria de Manuel de Araújo Porto-alegre.




Primeira charge no Brasil (1837)



As charges e tiras continuam a fazer parte do nosso cotidiano. Estão presentes nos principais jornais do mundo e são sucesso entre seus leitores.



Elias (Diário de Santa Maria - 23/01/2012)


Ângelo Agostini continuou com a tradição de criar tiras para os jornais. Autor de desenhos de teor cômico, mas ainda assim de cunho crítico, utilizava-se em suas histórias dos cortes gráficos que viriam a ser um dos elementos determinantes na futura criação das histórias em quadrinhos.



Ângelo Agostini pioneiro das HQs no Brasil.


As "Aventuras de Nhô Quim" é a primeira história em quadrinhos e foi publicada pela revista Vida Fluminense, em 30 de janeiro de 1869. A história contava, em episódios, as desventuras de um homem simples do interior do Brasil. O primeiro capítulo possuía 20 imagens em páginas duplas e chamava-se "De Minas ao rio de Janeiro"

Em 11 de outubro de 1905 surgiu a revista "O Tico Tico" considerada a primeira revista de quadrinhos do Brasil, com trabalhos de artistas nacionais como J. Carlos, primeiro brasileiro a desenhar um personagem Disney (Mickey Mouse).





O primeiro exemplar custava 200 réis e como não havia inflação na época a revista permaneceu com esse preço até a década de 1920.


Primeira história da Revista Tico-Tico 


A partir dos anos 1930, houve uma retomada dos quadrinhos nacionais, com os artistas brasileiros trabalhando sob a influência estrangeira, como a produção de tiras de super-heróis, com a publicação de "A Garra Cinzenta em 1937 o suplemento "A Gazetinha".





Em 1939 foi lançada a revista "O Gibi". Na época, Gibi significava moleque, negrinho, porém, com o tempo a palavra passou a ser associada a revistas em quadrinhos no Brasil, e desde então, virou uma espécie de sinônimo.



1ª Semanal "O Gibi"


No início dos anos 1950, novos quadrinistas brasileiros que apareciam não conseguiam trabalhar com personagens próprios por resistência dos editores.

Neste mesmo ano surgiu os primeiros trabalhos independentes e Carlos Zéfiro, autor dos "Catecismos" (quadrinhos eróticos).

Foi no formato de tira que estrearam os personagens de Mauricio de Souza, criador da Turma da Mônica, no fim de 1959. O cãozinho Bidu foi o primeiro da Turma que, além das tiras de jornal, teve uma revista publicada pela editora Continental.






Em 1960 foi vencida a resistência dos editores e surgiu uma revista em quadrinhos com personagens e temas brasileiros. Foi "A Turma do Pererê" com texto e ilustrações de Ziraldo.
O personagem principal era uma saci e não raro suas aventuras tinham um fundo ecológico ou educacional.



Capa da revista



Os quadrinhos de super-heróis tiveram vários personagens brasileiros lançados em revista nessa época: "Capitão 7" - mistura de Flash Gordon com Super-Homem, "Escorpião" - cópia do O Fantasma, "Raio Negro"- baseado no Lanterna Verde e  "Targo - cópia do Tarzan.


Capitão 7


Raio Negro


Targo


No estilo policial foi criado "As Aventuras do Anjo" desenhado por Flávio Colin  (citado como maior desenhista brasileiro) que originou o filme "O Escorpião Escarlat".

No faroeste apareceu a tira do gaúcho "Fidêncio" de Julio Shimamoto e a adaptação de "Juvêncio - O Justiceiro do Sertão" pela Editora Prelúdio.



Capa da revista



No início dos anos 70 os quadrinhos infantis no país predominam, com o início da publicação das revistas de Mauricio de Souza e a montagem pela Editora Abril de um estúdio artístico, dando oportunidade a que vários quadrinistas começassem a atuar profissionalmente, produzindo principalmente histórias do Zé Carioca e de vários personagens Disney.



Capa da Revista


A Turma da Mônica começou a ser publicada pela Editora Abril em 1970, depois em (1987) pela Editora Globo e a partir de 2007 pela Editora Panini.


Turma da Mônica


Recentemente foi lançado a "Turma da Mônica Jovem" uma versão adolescente da Turma em estilo Mangá.


Turma Mônica Jovem


Nos anos 198 o trabalho artístico de vários quadrinistas brasileiros, tais com Angeli, Glauco e Laerte, que vieram ajudar a estabelecer os quadrinhos underground no Brasil.

Os três cartunistas produziram em conjunto as aventuras de "Los Três Amigos" (sátira western com temáticas brasileiras( e separados renderam personagens com "Rê Bordosa", "Geraldão e Overman" e "Piratas do Tietê".



Los Três Amigos


Rê Bordosa - Angeli



Geraldão - Glauco


Piratas do Tiête - Laerte


Mais tarde juntou-se a "Los Três Amigos" o quadrinista gaúcho Adão Iturrusgarai.


Aline - Adão Iturrusgarai


A história em quadrinhos no Brasil ganhou impulso com a realização da 1ª e 2ª Bienal de Quadrinhos no Rio de Janeiro em 1991 e 1993 e a 3º em 1997 em Belo Horizonte. Esses eventos contaram com a presença de inúmeros quadrinistas internacionais e praticamente todos os grandes nomes nacionais.

A produção de revistas em quadrinhos no Brasil é modesto em relação a outros países, embora a qualidade do material produzido seja de excelência. 

Não poderíamos terminar este post sem falar dos talentosos quadrinistas de nossa cidade (Santa Maria) e suas respectivas obras.



Primeiro livro solo de Paulo Chagas


Nós da Athena temos um carinho especial com a obra "Coisa de Amador", de Paulo Chagas, pois o lançamento do livro ocorreu concomitantemente com a inauguração da livraria. 






Coisa de Amador fala sobre rock n' roll, politica, cotidiano, cultura... Vale a pena conferir e dar boas risadas ao longo desta HQ, carregada de ironias e de um saudosismo delicioso.



Segundo livro do Xiru Lautério


Xiru Lautério e os Dinossauros II, de Byrata Lopes, resgata uma memória sul-riograndense e brasileira através da linguagem abagualada do gaúcho, habitante dos campos do Rio Grande do Sul e das pampas da Argentina e Uruguai.

No decorrer das páginas, vê-se nitidamente, a infusão da obra de dois grandes escritores, Cezimbra Jacques e Raul Bopp, evidenciando o teor regionalista da cultura do sul do país.


Fontes dessa pesquisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_em_quadrinhos_no_Brasil                                   

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